terça-feira, 8 de maio de 2012

recordações de um dia no navio

eu não sei que dia é hoje. não importa. o dia foi assim: pratos, copos quebrados, corro, correm, correm. respiro, não paro. mudo a roupa, a maquiagem é a mesma. taça, vinho tinto, guardanapos, sorrisos. desculpas. conto os minutos para ver o guilhermo, um espanhol lindo de tirar o fôlego. frio na barriga. tento ler crime e castigo, durmo. ganhei cem dólares. paguei sessenta e seis pelo dia em que fiquei doente e não trabalhei. internet, dólar em baixa. sorrisos, sorrisos. já não me lembro de nada. que saudade da minha família, do barulho da chuva, do cheiro da grama molhada. o café da tarde, bolo, pão quente. os abraços, risadas, choro. minha colega de quarto não desliga o telefone. não aguento. o guilhermo vai ligar. eu não se que dia é hoje. não importa. já não existe. são apenas recordações.

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